• Sthefane Torres

O mercado de streaming no Brasil



O advento de serviços multimídia para computadores pessoais e dispositivos móveis, como SpotifyNetflixDeezerKindle, entre outros, vem modificando a forma como as pessoas consomem música, filmes, livros, séries e programas de TV. O consumidor passou a escolher o que quer assistir, ouvir e ler em qualquer hora e lugar, sem a necessidade de seguir uma grade de programação. O desenvolvimento de tecnologias como a conexão de banda larga e a computação em nuvem, conjugadas à disseminação dos smartphones, permitiu o desenvolvimento dos serviços de streaming, nosso foco no artigo de hoje.


A possibilidade de acessar um determinado acervo sem a necessidade de sua posse e/ou armazenamento popularizaram os novos serviços e tornaram obsoletos os formatos de consumo pré-existentes. No Brasil o crescimento do consumo de serviços de streaming observado é em parte atribuído ao fato do país não ter desenvolvido anteriormente um mercado de download.  A pioneira Apple, ao lançar sua loja de música iTunes, dirigiu seus esforços de marketing para países de língua inglesa, mas não demonstrou interesse em adaptar suas estratégias às características de mercados mais periféricos. Isso levou os consumidores brasileiros a “pular” esse serviço passando diretamente ao streaming. Mas mesmo nessa nova modalidade faltou comunicação dos prestadores de serviços com os consumidores. Enquanto que em países como a Colômbia o termo streaming foi traduzido para música en linea, não houve a preocupação de abrasileirar o termo e muitas pessoas tiveram dificuldades para entender e até mesmo pronunciar.


Outra dificuldade é o baixo poder aquisitivo da população. O perfil socioeconômico requer que alguns serviços sejam oferecidos de forma gratuita, o que exige a complementação das assinaturas com receitas de publicidade. A competição com plataformas de acesso legal e gratuito, como o YouTube, torna a competição nesse mercado ainda mais acirrada. 

As assinaturas pagas dos serviços de streaming concentram-se nas classes média e alta, tornando o consumo de música gravada no país primordialmente grátis.  



Cadeia produtiva


O mercado da mídia gravada vem sendo transformado por um processo contínuo de inovações tecnológicas que modificam modelos de negócios, fomentam a inserção de novos agentes na cadeia produtiva e mudam a estrutura da indústria. As tecnologias digitais de produção, divulgação e consumo de música e vídeo provocaram mudanças profundas nas características dos agentes que atuam no mercado de bens culturais. Na música ocorreu uma significativa diminuição do número de gravadoras em função da queda progressiva das vendas de mídias físicas e do aumento dos meios de acesso não autorizado às obras. Os provedores dos serviços streaming são os novos intermediários da cadeia produtiva de produtos culturais gravados e buscam atrair o maior número possível de assinantes para obter economias de rede. 

O potencial de crescimento do consumo de serviços de streaming atraiu grandes plataformas, como Amazon e Google, provocando uma forte concentração no mercado. Trata-se de um ambiente de acirrada competição que demanda grandes esforços para obter economias de rede tanto que agentes de pequeno ou médio porte passaram a ter dificuldades para entrar ou sobreviver no mercado. 



O negócio


As plataformas digitais oferecem experiências de consumo customizadas através de sistemas de análise de audiência que usam machine learning para sugerir conteúdo personalizado. Informações sobre preferencias dos usuários servem como insumo para oferecer serviços com maior valor agregado. Por exemplo, o serviço Spotify for Artists  fornece relatórios a grupos musicais indicando quem, onde e quantas vezes a suas músicas foram ouvidas. Com esses dados, é possível estruturar melhor o planejamento estratégico do trabalho musical, organizando a agenda de shows de acordo com o número de execuções em streaming. Esse conhecimento da demanda é cada vez mais importante na gestão de carreiras musicais. 

Para atrair o consumidor, empresas oferecem serviços gratuitos de degustação e descontos promocionais para estudantes e famílias. Algumas empresas buscaram parcerias com empresas de telefonia móvel para expandir sua base de usuários. Porém, as plataformas oferecem praticamente os mesmos catálogos, dificultando a diferenciação do serviço.

A comodidade oferecida por essa tecnologia e a facilidade de acessar e navegar o vasto catálogo vêm resultando num significativo aumento da base de usuários em todo o mundo. E a popularidade dos serviços de streaming vem contribuindo para uma gradual recuperação financeira dos detentores de direitos autorais, após um longo período de perdas financeiras por conta do acesso ilegal às obras em formato digital e do declínio das vendas de produtos físicos. As crescentes receitas tornaram esse negócio promissor e fomentaram um ambiente bastante acirrado em termos competitivos com a entrada de grandes empresas do setor digital. Um dos principais desafios dos agentes que atuam nesse mercado é atrair a atenção do consumidor em meio a inúmeras opções de entretenimento online.


Continue acompanhando nosso conteúdo sobre música, mercado, negócios e fiquem a vontade para sugerir pautas que gostariam de acompanhar.  

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